As saudades dos Emigrantes

Boa tarde amigos,

Eis que rapidamente se aproxima o maravilhoso mês de Agosto , e com ele o calor, as praias e o regresso dos nossos bons amigos emigrantes. Boa gente, homens e mulheres, crianças e adultos, que para além fronteiras foram procurar uma vida diferente da que o nosso país lhes havia destinado.

Não duvidem, meus amigos, que nesta altura já sofrem os sintomas da ansiedade pela chegada dessa data pela qual esperam todo o ano. Alguns já começaram a fazer as malas, a ver a pressão dos pneus e o nível da água do radiador, a comprar as lembranças do costume e que variam de acordo com o país que é de adopção mas não do coração. E nas conversas com a família que as novas tecnologias permitem, nos Skypes e Messengers dos telemóveis, tablets ou computadores, as costumeiras frases de que “será em breve” e “já falta pouco” ganham um novo sentimento por terem uma data e uma hora marcada.

Como não poderia ser, a Dose de Pimba por cá também espera alguns amigos e para eles dedica esta música do grandioso artista Dino Meira, em que o mesmo eloquentemente expressa todas as saudades que por esta altura habitam a alma dos nossos “Avecs”. E um até breve, agora com data marcada.

 

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Carlos Ribeiro & Maria Celeste – Joelhos ao Chão “13 Maio”

Claramente dedicada ao culto Mariano, o tema de hoje vem carregado de religiosidade. Numa iniciativa inédita, deixo a descrição ao cargo de outro autor, num texto encontrado no youtube, mas que retrata na perfeição o sentimento traduzido por este tema.

Em plena primeira guerra mundial, três pastorinhos portugueses de nome Lúcia, de dez anos, Francisco, de nove anos e Jacinta, de sete anos, presenciaram uma aparição que seria testemunha da presença divina em nosso mundo.
A Senhora marcou um encontro com essas crianças para o dia 13 de todo mês, para realizar as suas aparições em um campo de nome Cova da Iria. Lúcia, a mais velha, pediu segredo, mas os mais novos não conseguiram guardá-lo. Contaram a outras pessoas o fato extraordinário e no dia 13 de junho os pastorinhos já não estavam sozinhos. Em 13 de julho, por ocasião da terceira aparição, Nossa Senhora prometeu um milagre para que o povo acreditasse nas três crianças. Mas a 13 de agosto, os três videntes, fechados no cárcere, não puderam ir à Cova da Iria.
Em 13 de outubro, uma multidão de 70 mil pessoas lotavam o local das aparições e testemunharam o sol mover-se entre chamas multicores, como se fosse se destacar do firmamento. E deixou sua mensagem ao mundo: “Rezem o terço todos os dias; rezem muito e façam sacrifícios pelos pobres pecadores; são muitos os que vão para o inferno por não haver quem se preocupe em rezar e fazer sacrifícios por eles. A guerra logo vai acabar, mas se não pararem de ofender ao Senhor, não passará muito tempo para vir outra pior. Abandonem o pecado de suas próprias vidas e procurem eliminá-lo da vida dos outros, colaborando com a Redenção do Salvador”. Em 1946 a estátua de Nossa Senhora de Fátima foi coroada diante de uma multidão de 800.000 pessoas. A 13 de maio de 1967, por ocasião do cinquentenário das aparições, o papa Paulo VI foi a Fátima onde se encontrou com a vidente Lúcia.

 

 

Carlos Ribeiro & Maria Celeste – Joelhos ao Chão “13 Maio”

 

Em 13 de Maio,
Na Cova da Iria,
Apareceu brilhando
A Virgem Maria.
De joelhos ao chão,
O terço rezava,
Olhava pro Céu,
A Virgem Chorava
A Virgem mandou,
O terço rezar
Diz ela que o Terço
Nos há-de salvar.
De joelhos ao chão,
O terço rezava,
Olhava pro Céu,
A Virgem Chorava
A 13 de Outubro,
Foi o seu Adeus
A Virgem Maria
Voltou para o Céu
De joelhos ao chão,
O terço rezava,
Olhava pro Céu,
A Virgem Chorava

Dia da Mãe

Já tínhamos feito uma homenagem às mães no dia da mulher, e hoje vamos repetir essa homenagem, mas salvaguardando que o dia da mãe tem que ser todos os dias!

O tema escolhido para hoje fica ao cargo do Conjunto Musical Oliveira Muge, que no levam para 1966, em plena guerra colonial, altura em que muitas mães sofriam por não saber de seus filhos que se encontravam longe e a lutar pela pátria.
Hoje em dia podemos não estar a lutar pela pátria, mas encontramos-nos, muitas vezes, longe da nossa mãe e este tema lembra-nos disso mesmo e que a nossa mãe se preocupa connosco, sempre…

 

 

 

Letra:

Mamãe
Tu estás tão longe de mim
Mamãe
Sinto que estás a chorar
Não chores
A minha ausência
Que um dia hei-de voltar
Não chores
E pensa agora
Que o tempo passa depressa
Pede a Deus
Que te tire esse tormento
Que te apague o sofrimento
Desse teu formoso rosto
Mamãe
Não chores
Eu volto

Garagem da Vizinha – uma versão alternativa de uma jovem desconhecida chamada Lili Caneças

Boa tarde amigos,

geralmente a Dose de Pimba não se aventura em outros géneros musicais, que, apesar de possuírem o seu devido encanto, não satisfazem a alma com toda a plenitude dos suaves sons de um Acordeão e um Sintetizador. A verdade é que a política da casa sempre foi: “Quem tem pimba, para que há-de querer outra coisa?!”

No entanto, não nos podia passar despercebida este bonita homenagem ao nosso grande artista Quim Barreiros. Ora, a história é relativamente simples: três jovens artistas que intitulam o seu projecto de “Dois Brancos e um Preto” fazem uma adaptação da música e letra “Garagem da Vizinha” a um novo género musical que intitulam Trap Pimba. Para os ajudar chamaram uma senhora conhecida como Lili Caneças, cuja cara é-nos familiar provavelmente de algum subgénero da musica popular alternativa portuguesa. O próprio nome “Lili Caneças” pode ter sido escolhido pela artista como nome de palco perfeito para figurar com o nome de outros artistas pimba no cartaz da Festa da Lageosa da Raia.

Quanto à sonoridade em si, nota-se nesta homenagem uma tentativa de adequar a fantástica música do nosso Quim a temas do Hip Hop, ou do Folk, ou seja lá o que os jovens andam para aí a ouvir antes de descobrirem a sua paixão pelo Pimba. A jovem Lili participa, atribuindo a voz à personagem da vizinha, incentivando a manutenção dos veículos automóveis mas impondo regras (“Mudas se eu deixar… cuidado com o óleo para não me salpicar!”). Esta jovem artista desconhecida apresenta um verdadeiro talento para novos voos na música Pimba, e não nos surpreendia que no próximo Verão seja um nome presente nos cartazes das festas das nossas aldeias.

Compreende-se a necessidade de adequar o Pimba ao Hip Hop, porque os jovens não nascem ensinados e precisam de ser apresentados à Música Popular Alternativa com sonoridades, mesmo que de níveis mais baixos, mas que já conhecem. Mas desnecessário para a homenagem era misturar Quim Barreiros, esse nobre representante da Portugalidade, com a música de um artista de segunda linha estrangeiro chamado Roberto Carlos, um representante da prima pobre da nossa música Pimba, a Música Romântica Brasileira. Fica no entanto este voto positivo da Dose de Pimba: esta senhora Lili Caneças possui talento e presença, e não nos surpreenderá se um dia ela sair da obscuridade e do desconhecimento popular para emergir como uma Rainha da Música Pimba! Seguiremos com atenção a sua carreira.

Os Solitários – Ajudem o Velhinho

É Primavera, mas a temperatura que se faz sentir na rua condiz mais com o Inverno profundo. Deixando as alterações climáticas de parte, o tema de hoje centra-se não num, mas em dois flagelos sociais cada vez mais comuns, os sem-abrigo e a solidão… A versatilidade da musica PIMBA é uma das coisas que nos faz manter este espaço. Capaz de abordar temas desta natureza e complexidade, atribuindo-lhes um ritmo que minimiza a tristeza sem retirar a importância e a seriedade, apelando ao civismo e bondade. Muitos de nós já passaram por estas pessoas, que “mendigam o dia todo para ter pão para comer” e que “vive sempre sozinho sem amor nem carinho”, mas quantos de nós já os ajudaram??? Pois bem, é este o apelo que Os Solitários fazem neste tema de cariz social, retratam com bastante pormenor a vida de um velhinho sem-abrigo e que, nem a propósito do nome da banda, “vive sempre sozinho, nas malhas da solidão” (reforço pleonástico), passando uma “vida de cão”. Realce musical para o solo de sopro, que nos faz lembrar o canto de um rouxinol.

Copos, Mulheres e Pimba, sr. Dijsselbloem

A Dose de Pimba está indignada. Não há palavras para a revolta. Então esse senhor Dijsselbloem esquece-se que os Portugueses também gostam de Pimba? Só fala das Mulheres e dos Copos? Uma atroz injustiça!

Agora mais a sério: há muita gente que considera as palavras deste senhor como racistas contra os povos do sul da Europa. A Dose de Pimba discorda. O que há aqui são palavras de inveja: o homem não se conforma de ter nascido e crescido num país que lhe pagou os estudos à custa da prostituição legal e do comércio gerado pelo tráfico de drogas. Toda uma juventude a ver o seu país a prostituir-se e a drogar-se para ganhar a vida, a vender o c* a empresas que fogem aos impostos e a importar trabalhadores porque os nativos são demasiado doutores para trabalhar a sério, e depois olha para os países do Sul e nota que esses povos, apesar de não terem vendido a alma e serem mais pobres, são mais felizes? Uma afronta à moral do bom holandês protestante liberal! Povos felizes, como é que isso pode ser? Toda a gente sabe que a felicidade é algo impossível para um bom economista protestante! A felicidade é um mito, como aquilo do amor a coisas que não são dinheiro!

Mas a Dose de Pimba possui a cura para este preconceito civilizacional, para esta torpe cognitiva, para este atraso cultural. E o medicamento tem um nome: Quim! Quim Barreiros! E é para tomar duas vezes ao dia, depois das refeições com um bom vinho e na companhia de uma mulher (ou homem, a Dose não discrimina) bonita e interessante. Se não funcionar, sr Dijsselbloem, use o exemplo do vosso Pequeno Holandês e use o dedo para resolver o problema: meta-o onde o sol não brilha!

A Dose de Pimba dá as boas vindas à primavera

Viva amigos,

como não celebrar esta mudança de época? Com o frio do inverno para trás, eis que a aproximação dos dias longos, do calor e das noites ao ar livre despertam o melhor espírito pimba que há em nós! É só olhar para o calendário para notar que o regresso das noites de calor e bailarico está para breve e que chega a hora dos nossos grandiosos artistas da música popular alternativa portuguesa regressarem à estrada para levar alegria a todos os cantos deste magnífico país.

Para ajudar a entrar no espírito, a Dose de Pimba de hoje oferece uma música da nossa fantástica artista Ana Malhoa, intitulada “Sube la Temperatura”. Numa performance admirável, Ana Malhoa consegue incluir tudo nesta música: um tom tecno futurista, um ambiente dark-dungeon com chicotes que sugere que não há amor (calor) sem dor e a interculturalidade de cantar em duas línguas, o que mostra não só a versatilidade da artista mas também a preocupação em abraçar novas culturas, neste mundo em que o racismo e a discriminação ganham espaço no quotidiano das pessoas.

Notem a destreza verbal com que salta da língua portuguesa para o castelhano… “ninguém vai parar, toda la noche baila asi” ou “Perco os sentidos, sube la pression, quando tu bailas acelera corazon”. Não é por acaso que muitos consideram Ana Malhoa a rainha da música portuguesa.

Vozes críticas dizem que Ana Malhoa secundariza a sua sonoridade com a extravagância do seu look atrevido e com a imagem de sensualidade que transmite. A dose de Pimba prefere dizer: Bendita Ana Malhoa!