Dia da Mãe

Já tínhamos feito uma homenagem às mães no dia da mulher, e hoje vamos repetir essa homenagem, mas salvaguardando que o dia da mãe tem que ser todos os dias!

O tema escolhido para hoje fica ao cargo do Conjunto Musical Oliveira Muge, que no levam para 1966, em plena guerra colonial, altura em que muitas mães sofriam por não saber de seus filhos que se encontravam longe e a lutar pela pátria.
Hoje em dia podemos não estar a lutar pela pátria, mas encontramos-nos, muitas vezes, longe da nossa mãe e este tema lembra-nos disso mesmo e que a nossa mãe se preocupa connosco, sempre…

 

 

 

Letra:

Mamãe
Tu estás tão longe de mim
Mamãe
Sinto que estás a chorar
Não chores
A minha ausência
Que um dia hei-de voltar
Não chores
E pensa agora
Que o tempo passa depressa
Pede a Deus
Que te tire esse tormento
Que te apague o sofrimento
Desse teu formoso rosto
Mamãe
Não chores
Eu volto

Garagem da Vizinha – uma versão alternativa de uma jovem desconhecida chamada Lili Caneças

Boa tarde amigos,

geralmente a Dose de Pimba não se aventura em outros géneros musicais, que, apesar de possuírem o seu devido encanto, não satisfazem a alma com toda a plenitude dos suaves sons de um Acordeão e um Sintetizador. A verdade é que a política da casa sempre foi: “Quem tem pimba, para que há-de querer outra coisa?!”

No entanto, não nos podia passar despercebida este bonita homenagem ao nosso grande artista Quim Barreiros. Ora, a história é relativamente simples: três jovens artistas que intitulam o seu projecto de “Dois Brancos e um Preto” fazem uma adaptação da música e letra “Garagem da Vizinha” a um novo género musical que intitulam Trap Pimba. Para os ajudar chamaram uma senhora conhecida como Lili Caneças, cuja cara é-nos familiar provavelmente de algum subgénero da musica popular alternativa portuguesa. O próprio nome “Lili Caneças” pode ter sido escolhido pela artista como nome de palco perfeito para figurar com o nome de outros artistas pimba no cartaz da Festa da Lageosa da Raia.

Quanto à sonoridade em si, nota-se nesta homenagem uma tentativa de adequar a fantástica música do nosso Quim a temas do Hip Hop, ou do Folk, ou seja lá o que os jovens andam para aí a ouvir antes de descobrirem a sua paixão pelo Pimba. A jovem Lili participa, atribuindo a voz à personagem da vizinha, incentivando a manutenção dos veículos automóveis mas impondo regras (“Mudas se eu deixar… cuidado com o óleo para não me salpicar!”). Esta jovem artista desconhecida apresenta um verdadeiro talento para novos voos na música Pimba, e não nos surpreendia que no próximo Verão seja um nome presente nos cartazes das festas das nossas aldeias.

Compreende-se a necessidade de adequar o Pimba ao Hip Hop, porque os jovens não nascem ensinados e precisam de ser apresentados à Música Popular Alternativa com sonoridades, mesmo que de níveis mais baixos, mas que já conhecem. Mas desnecessário para a homenagem era misturar Quim Barreiros, esse nobre representante da Portugalidade, com a música de um artista de segunda linha estrangeiro chamado Roberto Carlos, um representante da prima pobre da nossa música Pimba, a Música Romântica Brasileira. Fica no entanto este voto positivo da Dose de Pimba: esta senhora Lili Caneças possui talento e presença, e não nos surpreenderá se um dia ela sair da obscuridade e do desconhecimento popular para emergir como uma Rainha da Música Pimba! Seguiremos com atenção a sua carreira.

Os Solitários – Ajudem o Velhinho

É Primavera, mas a temperatura que se faz sentir na rua condiz mais com o Inverno profundo. Deixando as alterações climáticas de parte, o tema de hoje centra-se não num, mas em dois flagelos sociais cada vez mais comuns, os sem-abrigo e a solidão… A versatilidade da musica PIMBA é uma das coisas que nos faz manter este espaço. Capaz de abordar temas desta natureza e complexidade, atribuindo-lhes um ritmo que minimiza a tristeza sem retirar a importância e a seriedade, apelando ao civismo e bondade. Muitos de nós já passaram por estas pessoas, que “mendigam o dia todo para ter pão para comer” e que “vive sempre sozinho sem amor nem carinho”, mas quantos de nós já os ajudaram??? Pois bem, é este o apelo que Os Solitários fazem neste tema de cariz social, retratam com bastante pormenor a vida de um velhinho sem-abrigo e que, nem a propósito do nome da banda, “vive sempre sozinho, nas malhas da solidão” (reforço pleonástico), passando uma “vida de cão”. Realce musical para o solo de sopro, que nos faz lembrar o canto de um rouxinol.

Copos, Mulheres e Pimba, sr. Dijsselbloem

A Dose de Pimba está indignada. Não há palavras para a revolta. Então esse senhor Dijsselbloem esquece-se que os Portugueses também gostam de Pimba? Só fala das Mulheres e dos Copos? Uma atroz injustiça!

Agora mais a sério: há muita gente que considera as palavras deste senhor como racistas contra os povos do sul da Europa. A Dose de Pimba discorda. O que há aqui são palavras de inveja: o homem não se conforma de ter nascido e crescido num país que lhe pagou os estudos à custa da prostituição legal e do comércio gerado pelo tráfico de drogas. Toda uma juventude a ver o seu país a prostituir-se e a drogar-se para ganhar a vida, a vender o c* a empresas que fogem aos impostos e a importar trabalhadores porque os nativos são demasiado doutores para trabalhar a sério, e depois olha para os países do Sul e nota que esses povos, apesar de não terem vendido a alma e serem mais pobres, são mais felizes? Uma afronta à moral do bom holandês protestante liberal! Povos felizes, como é que isso pode ser? Toda a gente sabe que a felicidade é algo impossível para um bom economista protestante! A felicidade é um mito, como aquilo do amor a coisas que não são dinheiro!

Mas a Dose de Pimba possui a cura para este preconceito civilizacional, para esta torpe cognitiva, para este atraso cultural. E o medicamento tem um nome: Quim! Quim Barreiros! E é para tomar duas vezes ao dia, depois das refeições com um bom vinho e na companhia de uma mulher (ou homem, a Dose não discrimina) bonita e interessante. Se não funcionar, sr Dijsselbloem, use o exemplo do vosso Pequeno Holandês e use o dedo para resolver o problema: meta-o onde o sol não brilha!

A Dose de Pimba dá as boas vindas à primavera

Viva amigos,

como não celebrar esta mudança de época? Com o frio do inverno para trás, eis que a aproximação dos dias longos, do calor e das noites ao ar livre despertam o melhor espírito pimba que há em nós! É só olhar para o calendário para notar que o regresso das noites de calor e bailarico está para breve e que chega a hora dos nossos grandiosos artistas da música popular alternativa portuguesa regressarem à estrada para levar alegria a todos os cantos deste magnífico país.

Para ajudar a entrar no espírito, a Dose de Pimba de hoje oferece uma música da nossa fantástica artista Ana Malhoa, intitulada “Sube la Temperatura”. Numa performance admirável, Ana Malhoa consegue incluir tudo nesta música: um tom tecno futurista, um ambiente dark-dungeon com chicotes que sugere que não há amor (calor) sem dor e a interculturalidade de cantar em duas línguas, o que mostra não só a versatilidade da artista mas também a preocupação em abraçar novas culturas, neste mundo em que o racismo e a discriminação ganham espaço no quotidiano das pessoas.

Notem a destreza verbal com que salta da língua portuguesa para o castelhano… “ninguém vai parar, toda la noche baila asi” ou “Perco os sentidos, sube la pression, quando tu bailas acelera corazon”. Não é por acaso que muitos consideram Ana Malhoa a rainha da música portuguesa.

Vozes críticas dizem que Ana Malhoa secundariza a sua sonoridade com a extravagância do seu look atrevido e com a imagem de sensualidade que transmite. A dose de Pimba prefere dizer: Bendita Ana Malhoa!

 

Dia do Pai

 

Ser pai transcende distâncias e condicionantes que nos impedem de estar próximos, é uma condição que se mantém para sempre. No tema de hoje, Julio Miguel e Lêninha, exaltam a tristeza que sentem por terem o pai preso, provando que nem o pai é perfeito, mas não será por isso que deixamos de o amar. Aguardam o reencontro e sofrem com coração pesado enquanto ele se encontra encarcerado, mas esperam ansiosamente por ele, porque um pai tem sempre consigo a salvação dos filhos, é o nosso herói.

Este tema não é novo e, seguramente, tanto Julio Miguel como Lêninha já devem ser bastante crescidos e quem sabe até eles mesmos serão pais. A informação disponível é escassa e deixa-nos com bastantes incertezas… esperamos pelo menos que a esta altura já se encontrem reunidos com o pai. Ficamos também na dúvida se a voz trémula de Julio Miguel se deve ao sofrimento ou a alguma alteração hormonal e se Lêninha fica apenas na composição musical por opção ou porque a emoção é tanta que não consegue cantar.

Feliz dia do Pai

 

 

 

Julio Miguel e Lêninha – Filho de um Recluso

O meu pai está preso,
eu sei que o meu pai errou,
o meu pai está refeso,
o meu pai está refeso,
pelos erros que praticou.

Mesmo que se porte bem
e deixe de ser intruso
eu sou e sempre serei
eu sou e sempre serei
o filho de um recluso

REFRÃO

Meu pai está sofrendo
nas grades da prisão
só eu te compreendo
só eu te compreendo
ninguém te dá perdão

Cumpres o teu castigo,
pagas à sociedade
e eu sofro contigo
e eu sofro contigo
até à liberdade

Meu pai, meu amor profundo
não tenhas preconceitos
sabes que neste mundo
sabes que neste mundo
não há homens perfeitos

Meu pai tu regenera-te
e vive a vida com brilho
este teu filho espera-te
este teu filho espera-te
vem salvar o teu filho

REFRÃO

Meu pai está sofrendo
nas grades da prisão
só eu te compreendo
só eu te compreendo
ninguém te dá perdão.

Cumpres o teu castigo,
pagas à sociedade
e eu sofro contigo
e eu sofro contigo
até à liberdade

Na antiga Alemanha…

Hoje é dia de fazer uma viagem internacional no tempo. Vamos até à Alemanha de 1976, período conturbado, sem dúvida, mas mesmo assim com temas alegres e que nos conseguem animar. Com um visual excêntrico, a fazer lembrar Andy Warhol (os óculos escuros são devido a doença), Heino (Heinz Georg Kramm) tráz-nos um tema com sonoridade tirolesa, mas que deve ser sem dúvida um hino aos lenhadores. Confessamos que nós aqui em Uma Dose de Pimba, temos bastantes limitações no alemão, mas aquilo que nos cativa verdadeiramente é o facto de no vídeo se encontrarem dois lenhadores a serrar um tronco, o que achamos maravilhoso. Deixamos à vossa apreciação o vídeo e da próxima vez que tiverem que ir à lenha, já têm uma banda sonora.